Espiritualidade:educação do século XXI - por Solange Galeano

13/08/2011 00:16

ESPIRITUALIDADE : PARTE INTEGRANTE DO SISTEMA EDUCACIONAL DO SÉCULO XXI

Este artigo parte da noção de espiritualidade como a defendida por Danah Zohar que a propõe como uma terceira inteligência capaz de colocar nossos atos e experiências num contexto mais amplo de sentido e valor, tornando-os mais efetivos. Segundo ela, ter alto quociente espiritual (QS) implica ser capaz de usar o espiritual para ter uma vida mais rica e mais cheia de sentido, adequado senso de finalidade e direção pessoal. O QS aumenta nossos horizontes e nos torna mais criativos. É uma inteligência que nos impulsiona. É com ela que abordamos e solucionamos problemas de sentido e valor e desenvolvemos valores éticos e crenças que vão nortear nossas ações.
Esta maneira de pensar a espiritualidade exige um mergulho profundo na condição humana, numa perspectiva de autoconhecimento. A partir de uma concepção mais ampliada de ser humano, o ser humano hilo-holotrópico (Grof, 1992, 1997) proposto por Grof, nota-se a importância de considerar este aspecto no processo educativo, uma vez que entendemos tal processo como um espaço privilegiado de formação dos seres humanos a partir da construção do conhecimento permeado pela relação pedagógica. Por isso, consideramos que a prática educativa exige métodos e estratégias que tenham por objetivo a constituição integral do ser humano, ou seja, que levem em conta, não só o indivíduo, mas as diferentes variáveis que concorrem para a relação pedagógica; indivíduo/sociedade/espécie não só são inseparáveis, mas também co-produtores um do outro. Em outras palavras,, como experiência especificamente humana, a educação é uma forma de intervenção no mundo e exige da parte dos educadores a coragem de assumir a inteireza da condição humana.
A compreensão da existência e a natureza das experiências vivenciadas são um processo que conduz o homem a identificar-se com outros aspectos, além do corpo físico, dos sentimentos e da cultura imposta que, muitas vezes, apregoa verdades únicas propiciadoras de uma falsa visão de mundo, cerceadora da totalidade do ser. Entretanto, para o desenvolvimento de um novo olhar, de uma nova visão de mundo é necessário uma mudança de paradigmas, algo não muito simples e fácil, apesar das relevantes contribuições de diferentes áreas científicas apontarem para essa necessidade.
A forma como a espiritualidade é aqui entendida, permite afirmar que ela está inserida em todo e qualquer tipo de conhecimento independente do sistema. E, a partir dessa premissa, pode-se concluir que a espiritualidade é de suma importância para a Educação, condutora do conhecimento específico com suporte nas diversas disciplinas entrelaçadas ao conhecimento empírico. O sistema educacional em nível mundial exige uma mudança de paradigmas, o que só se efetivará se todos os envolvidos no processo educativo modificarem sua postura em relação à visão de mundo dualística, pois não se deve separar pesquisa científica da busca espiritual, porque é essa junção que permite a transformação do indivíduo.
A espiritualidade é o caminho para a transformação do ser. Entretanto, a cultura constitui os hábitos, as normas, as crenças, os valores etc., dentro de qualquer sociedade. Desta forma, falar em abertura/mudança no campo educacional significa compreender o processo de educação como relações entre seres humanos que se desenvolvem na inteireza, num constante movimento de construção e reconstrução de si mesmo e da história da humanidade. Sendo assim, o sistema educativo precisaria estar atento também à dimensão da espiritualidade.
Esta idéia, da atenção à dimensão da espiritualidade, propõe o pensar do papel dos educadores. Os educadores necessitam de um ciclo de ação/reflexão pedagógica na totalidade. Isso não significa que os conteúdos escolares fiquem à margem do processo educativo. Os conteúdos escolares fazem parte deste ciclo de ação/reflexão na totalidade, pois são eles que auxiliam no processo de construção e formação do indivíduo. O fato é que muitos especialistas da educação planejam e trabalham conteúdos específicos, desprezando a visão integral do ser humano.
Urge a necessidade de introduzirmos o autoconhecimento tanto para o educador quanto para o educando. Pois o autoconhecimento, capaz de desenvolver diferentes níveis de consciência, provedores da inteireza do ser humano, está imbricado na espiritualidade,. Portanto, é importante uma educação baseada na condição humana, considerando a subjetividade dentro da diversidade e a complexidade que permeia esses dois sistemas antagônicos e indissociáveis.
Os profissionais da educação devem refletir sobre quais documentos devem ser abordados em sala de aula, levando-se em conta os fatores acima descritos. Já não há lugar para a aula cujo professor considere seus alunos uma tábua rasa e ele o detentor do saber como fonte de verdade última. Faz-se necessário refletir sobre quais conteúdos contribuem para a formação de seres humanos em transformação e que se desenvolvem na/para inteireza, em sintonia com o universo. Não basta falar de conteúdos e aulas, é preciso unir profissionais que pensem e executem um projeto político pedagógico para tal situação.
A educação mundial está em crise, clama por transformações e, conseqüentemente, por mudanças de paradigmas. E, nesse sentido, a busca de novos caminhos para uma outra compreensão de mundo envolve a educação em todos os níveis e em todas as idades e esta deve ser a tarefa da educação do século XXI.


REFERÊNCIAS

ESPÍRITO SANTO, R. C. C. Pedagogia da autonomia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2003.
GROF, S. A.. A aventura da autodescoberta. São Paulo: Summusl,
1997.
______. (Org). Emergência espiritual: crise e transformação espiritual.
São Paulo: Cultrix, 1992.
 


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